País dará resposta dura à nova ofensiva argentina para barrar produtos brasileiros

08/12 – 12:54 – Gustavo Gantois, iG Brasília

Em mais um capítulo na guerra comercial entre Brasil e Argentina, o governo de Cristina Kirchner está preparando uma nova lista para barrar a entrada de produtos brasileiros em seu país. Desta vez, a safra restritiva contempla autopeças, alimentos prontos, equipamentos eletrônicos, entre outros que totalizam 18 itens da pauta bilateral. A informação já chegou à embaixada do Brasil em Buenos Aires e foi imediatamente repassada pelo Itamaraty ao Ministério do Desenvolvimento, responsável pelas negociações comerciais com os vizinhos do Mercosul.

“Estamos chegando ao limite”, admite o secretário de Comércio Exterior, Welber Baral. “Há um excesso de discurso e falta prática na hora em que mais precisamos manter o Mercosul de pé”.

Ao contrário de outros episódios semelhantes, no entanto, a resposta brasileira deverá ser mais dura daqui pra frente. As associações produtoras contabilizam em 468 o número de itens que sofrem algum tipo de barreira pela Argentina, enquanto que o Brasil aplica restrições a apenas 59 produtos. É por isso que o Ministério e um grupo de diplomatas começam a esboçar um aumento da retaliação brasileira que pode chegar a 200 produtos.

“Ainda não é a resposta ideal, mas é uma sinalização de que o governo e a indústria brasileiros não estão satisfeitos com essa relação”, diz Synésio Batista, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, a Abrinq.

O setor de brinquedos foi a última vítima do protecionismo argentino, que iniciou em setembro do ano passado uma escalada sem precedentes no histórico comercial bilateral. Numa artimanha burocrática, produtos que antes eram exportados sob o regime de licença automática passaram a precisar de uma autorização prévia da aduana argentina. O procedimento em si, avalizado pela Organização Mundial do Comércio, não costuma demorar mais do que 30 dias, podendo chegar a 60 dias em casos excepcionais. Mas posto em prática pela Argentina, tem levado até quatro meses.

Promessas

Em novembro, durante visita da presidente Cristina Kirchner ao Brasil, os dois países criaram um comitê para monitorar o problema e prometeram cessar com as práticas desleais de comércio. O grupo ainda não estreou e já terá um novo problema para analisar. Informado sobre a retaliação brasileira que está sendo preparada, o secretário de Indústria argentino, Eduardo Bianchi, contemporizou. “Nossas exportações para o Brasil são muito importantes e queremos preservá-las, mas a prioridade da Argentina é proteger a produção e o emprego”, diz.

O maior problema nessa justificativa é que os produtos brasileiros não estão sendo restritos para ajudar a fortalecer a indústria argentina, mas apenas substituídos por chineses. Dados da consultoria argentina Abeceb.com, especializada no comércio Brasil-Argentina, apontam que as vendas brasileiras sofreram uma queda de 35% até novembro, enquanto que as chinesas recuaram apenas 21%. Na mesma linha, a China aumentou suas exportações em oito de 21 setores, enquanto o Brasil o fez em apenas dois. Apenas no setor de brinquedos, a participação brasileira no mercado argentino é de 2,2%, enquanto a chinesa é de 79,1%.

“Há uma tentativa de mascarar essa substituição, mas é fato que há um aumento nas importações chinesas em detrimento das brasileiras”, afirma Mauricio Claveri, analista da Abeceb.com.

Fuente: ultimo segundo

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