Posts Tagged ‘Brasil bilateral industria celulares’

Indústria argentina quer ampliação de conteúdo local na produção de celulares

marzo 25, 2009

conteúdo nacional para sua fabricação de celulares – que hoje atende apenas 5% do consumo local – , a abertura do mercado brasileiro para aparelhos de calefação e outros eletrodomésticos “made in Argentina” e manter a proteção das licenças não automáticas para a importação de geladeiras, fogões, lavadoras, equipamentos de ar-condicionado e multiprocessadores de alimentos. De acordo com Hugo Ganin, presidente da Fedehogar, entidade que reúne os fabricantes argentinos de eletrodomésticos, esta é a pauta que os industriais locais vão levar hoje para a reunião com seus pares brasileiros na sede do Ministério da Produção, em Buenos Aires.

O encontro foi convocado para discutir uma solução para a queda do comércio bilateral e as medidas protecionistas tomadas pela Argentina sob o argumento de proteger a indústria local contra a invasão de importados. Além de eletrodomésticos, também se reunirão na sede do Ministério da Produção representantes das indústrias de máquinas agrícolas, têxteis, motores e autopeças, metalurgia e material elétrico.

Em defesa da proteção levantada pelo governo argentino – e reforçada desde novembro por causa da crise internacional – Ganin disse ao Valor que os fabricantes argentinos de eletrodomésticos não têm como concorrer com os gigantes multinacionais (Whirlpool, Electrolux, General Electric) sediados no Brasil, cujos interesses são defendidos pelos brasileiros nas negociações com os argentinos.

Segundo este empresário, os industriais argentinos estariam a favor de um mercado mais aberto com o Brasil, desde que tivessem acesso ao mercado brasileiro – hoje bloqueado, segundo ele, por pressão daqueles “gigantes” – e que houvesse uma “harmonização das regras tributárias e financeiras” entre os dois países. “Temos um excelente know-how na produção de equipamentos a gás, por exemplo, mas não temos acesso ao mercado brasileiro para esses produtos”, queixou-se Ganin.

Desde o dia 1º de janeiro de 2007, as geladeiras e fogões brasileiros tiveram a entrada na Argentina submetida a licenciamento não automático. A medida, que desde então vem sendo renovada, atendeu ao pedido da indústria de linha branca, que não conseguiu convencer a indústria brasileira a retomar um acordo de restrição voluntário das importações, vencido no início de 2006. A indústria brasileira não aceitou continuar restringindo suas exportações para o principal sócio do Mercosul, argumentando que o motivo pelo qual o primeiro acordo de cotas foi feito, em 2004 – a queda da produção e prejuízos a indústria local – já não se justificava.

Até 2007, o mercado argentino vinha crescendo ao ritmo de 30%. Mas em 2008, com a desaceleração da economia interna e externa, o ritmo de crescimento das vendas de eletrodomésticos baixou para 10%, segundo a Fedehogar. Ganin diz que a proteção do licenciamento não automático ajudou a indústria nacional a ocupar mais espaço no mercado doméstico. Como exemplo, ele cita que em 2003 os fabricantes nacionais tinham apenas 20% do mercado de lavadoras de roupa, e hoje têm 50%. Ganin reconhece o avanço dos asiáticos na Argentina, mas diz que o mesmo aconteceu no Brasil. “A China é um problema tanto para a Argentina quanto para o Brasil”, afirma.

No mercado de celulares, a Argentina tem um único fabricante, a BGH, que desde 2001 produz em parceria com a Motorola, mas na verdade o país importa 95% dos celulares vendidos internamente. Segundo o Ministério da Produção, de US$ 1,337 bilhão importado em celulares em 2008, 68% (US$ 909 milhões aproximadamente) vieram do Brasil. De acordo com o levantamento da IES Consultores, a venda de celulares na Argentina cresceu 20% entre janeiro e novembro de 2008, comparado ao mesmo período de 2007. A importação cresceu 13,4%, de acordo com o levantamento. A ideia seria, segundo Ganin, aumentar a exigência de conteúdo local para estimular a produção nacional, mas ele não soube informar os números em negociação.